Hangzhou

Chegando de Hangzhou, uma cidade incrível!

Hangzhou começou a se desenvolver no século VIII com a abertura do Grande Canal, uma obra importante para a economia chinesa pois facilitou a circulação de mercadorias entre as províncias do norte e do sul. O transporte pela água é uma das grandes características do comércio chinês e até hoje é muito importante a presença de barcos nos inúmeros canais e na enorme extensão de rios navegáveis que o país possui.

O período áureo de Hangzhou, porém, foi durante a dinastia dos Song do sul, que ali estabeleceram sua capital, fugindo da dominação dos invasores Jurchen (que, no início do século XII, atacaram o norte, conquistando posteriormente quase toda a China). A cidade guarda, ainda hoje, muitos vestígios do tempo em que foi uma brilhante capital. No Museu Provincial uma excepcional coleção de cerâmicas, especialmente da época Song, testemunha a riqueza e o refinamento daquela sociedade.

O Museu da Seda é muito bem apresentado e, além de um acervo importante de sedas antigas e de alguns objetos, conta a história da sericultura na China e de sua expansão através da Rota da Seda. É claro que fiquei encantada, não podia estar mais feliz de encontrado este museu!

Toda a cidade é belíssima. Fica em volta de um lago (Xi Hú) que é cortado por caminhos e pontes, formando dois pequenos lagos internos (Bei Li e Xi Li) dentro do lago principal. Ilhotas e pavilhões chineses também “enfeitam” o lago e o conjunto, todo iluminado à noite, é mágico. Durante o dia é muito comum uma neblina descer sobre as margens e é esta paisagem, com a neblina, que está registrada em inúmeras pinturas chinesas antigas.

Em uma das ruas mais antigas de Hangzhou fica um famoso Centro de Medicina Tradicional Chinesa. Fui até lá para conhecê-lo, o prédio é muito bonito e, na entrada, funciona uma farmácia tradicional (foto abaixo), em cujas paredes está exposta uma coleção de antigos potes de porcelana pintada.

Enfim, um excelente programa que pretendo repetir pois a cidade merece mais de uma visita.

Hong Kong e Macau

Viagem a Hong Kong e Macau: um belo programa e mais uma etapa de nossos passeios para conhecer a China. Hong Kong é uma cidade bastante cosmopolita e com uma grande densidade populacional. Mas o que mais me encantou foi Macau. A presença portuguesa na arquitetura e no traçado das ruas é bastante evidente. Os azulejos são magníficos. Numa livraria próxima ao Largo do Senado (cujo nome está escrito assim mesmo, em português) comprei vários livros interessantes e alguns números da revista publicada pela Fundação Oriente. Mas cabe ressaltar que é atualmente muito raro encontrar alguém que fale português em Macau! Só algumas pessoas bem mais velhas e, é claro, aqueles que se encontram envolvidos em atividade acadêmica de pesquisa sobre os encontros culturais.

O Museu Histórico é bastante didático e conta a história não apenas da cidade mas de toda a região do sul da China. E, ao lado do museu, está a ruína, com uma fachada bem preservada, da Igreja jesuíta de São Paulo, imponente, belíssima (na foto abaixo).

Em diversos pontos da China é possível encontrar referência à atividade dos jesuítas. Talvez o fato de que eles convertessem inicialmente membros da elite do império chinês e só depois as outras camadas da população, tenha feito com que sua presença assumisse condições privilegiadas. Não encontrei ainda, em nenhum museu, em nenhum prédio histórico, referências negativas à atividade jesuítica (como é frequente, por exemplo, com relação ao domínio imperialista das grandes potências, especialmente no século XIX). Matteo Ricci, por exemplo, ainda hoje é considerado pelos chineses uma grande personalidade, à altura de Confúcio!

Penso que devo voltar ao texto de Tomé Pires sobre a China, que li há tanto tempo… A Suma Oriental, que data do início da época quinhentista (escrita a partir de 1512), dá muitas informações sobre o sul e sobre o período Ming. Mas por enquanto sigo vendo, vendo tudo o que posso, procurando livros e, o que não consigo evitar, pensando em futuras pesquisas, futuros escritos!!!

Mas, acima de tudo, cada viagem tem sido um novo encantamento.