A arte islâmica nos caminhos da Rota da Seda.

Carmen Lícia Palazzo. Resumo de apresentação em Mesa Redonda no CCBB em Brasília, em colaboração com a Embaixada da Espanha e a UnB: “Alhambras: o legado Andalusí”. Em 14. maio. 2019.

O estudo da arte islâmica e da sua expansão através da chamada Rota da Seda nos conduz à descoberta de fecundos intercâmbios de mercadorias e de ideias em múltiplas direções. Se a metalurgia sassânida deixou sua marca nas manifestações artísticas dos árabes que conquistaram o império persa, os mercadores muçulmanos que chegaram até a China, interessados no comércio e não na conquista territorial, levaram até o Extremo-Oriente sua crença, mas também as suas representações.

A Grande Mesquita de Xi’an é um eloquente testemunho deste encontro entre culturas tão distintas. A Península Ibérica, que na Idade Média se constituiu no que podemos chamar de extremo ocidente da Rota da Seda, evidencia também, e com muita clareza, tal intercâmbio. São exemplos importantes a contribuição do imperador bizantino na excepcional decoração de mosaicos da Grande Mesquita de Córdoba, realizada no califado de Al-Hakam II e os capitéis que se encontram no Marrocos, em construções dos almorávidas e dos almohadas, levados de Al-Andalus

Mihrab da Mesquita de Córdoba. Foto minha.

Longe de se constituir em uma religiosidade geograficamente delimitada, o Islã ganhou o mundo desde os seus primórdios, expandiu-se, conquistou, mas também assimilou outras culturas, o que nos leva a pensar que as análises das manifestações artísticas ditas islâmicas devem, necessariamente, levar em conta o rico intercâmbio que ocorreu nos caminhos de conquistadores, peregrinos e mercadores.