A múltiplas faces do Islã (artigo meu publicado na Revista “Saeculum” da Universidade Federal da Paraíba)

 

No link que segue, um artigo meu sobre o Islã:

periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/srh/article/view/22242/12335

RESUMO: O objetivo do presente artigo é o de elaborar uma síntese histórica do desenvolvimento do Islã, dando ênfase à diversidade de suas diversas correntes. Analisamos a primeira grande ruptura, que ocorreu no século VII, com a divisão entre sunitas e xiitas, e também o desmembramento do próprio xiismo em grupos distintos, ainda hoje bem demarcados uns dos outros. Em seguida, nossa análise recaiu sobre o sufismo, que permeia todo o conjunto do Islã, com adeptos entre os sunitas e xiitas e é emblemático da imensa multiplicidade de uma religião que é muito rica e passível de variadas interpretações. Como se trata de um trabalho de síntese histórica, utilizamos como fontes autores que escreveram sobre as diversas correntes do Islã, entre eles árabes e iranianos cujas análises podem ser consideradas “internas”, e também especialistas ocidentais que têm se debruçado longamente sobre o tema. Nossa conclusão é a de que muitas vezes se difunde a ideia de uma religiosidade homogênea, centrada na leitura do Corão e nos Hadith, em geral a partir de uma visão do grupo majoritário, que é sunita e no entanto é a diversidade e até mesmo o sincretismo, como no caso de algumas linhas sufistas, que se evidencia em uma leitura atenta das fontes.

Palavras Chave: Islã; Sunismo; Xiismo; Sufismo.

Artigo recebido em 08 abr. 2014.

Os Jesuítas na China (artigo meu publicado na Revista Tuiutí Ciência e Cultura)

 

Resumo: O presente artigo trata do papel dos jesuítas na divulgação de informações sobre o império chinês entre os séculos XVI e XVIII, informações estas que foram parte essencial na construção do imaginário ocidental sobre o Extremo Oriente. Os escritos dos inacianos circularentre a elite letrada europeia, transmitindo múltiplas visões que refletiam seu fascínio por vários aspectos da sociedade chinesa. As fontes de pesquisa utilizadas se constituem nos relatos e cartas produzidos pelos jesuítas nos longos anos nos quais foram protagonistas, junto com o mandarinato chinês, de um rico processo de encontro de culturas. A análise das referidas fontes levou à conclusão de que os padres da Companhia de Jesus, em suas muitas atividades, integraram-se de modo excepcional na sociedade chinesa, alcançando posições de prestígio junto a diversos imperadores das dinastias Ming e Qing. Tal integração refletiu-se em suas opiniões muitas vezes favoráveis ao Confucionismo e a diversas práticas e representações do Império do Meio, o que atraiu críticas, em geral vindas de outras ordens que não aprovavam o método inaciano de missionação. Permaneceu, porém, no imaginário ocidental, o fascínio pela China largamente motivado pelas informações dos jesuítas.

Palavras-chave: Jesuítas. China. Encontro de culturas.

www.utp.br/tuiuticienciaecultura/ciclo_4/tcc_48_hist_da_ccao/pdf_48/art_1.pdf

 

 

Sobre a Arte Gandhara

 

As esculturas da região de Gandhara, budistas de influência grega e, segundo alguns especialistas, também romana, se constituem numa das mais interessantes manifestações artísticas da chamada Rota da Seda.

“The first textual mention of historical Gandhara, the region that lies in the northwest of Pakistan and eastern Afghanistan, was in the ninth century BCE. Over the next nine hundred years the region was conquered by Alexander the Great, the Indian Mauryan dynasty, the Parthians, the Indo-Greeks, and finally the Central Asian Kushan Empire. This complex history, with its many cultural influences, formed the foundation for a region where Buddhism and Buddhist art would flourish and develop unique characteristics.”

(…)

“The legacy of Gandharan Buddhism and its remarkable art can still be detected throughout Asia. Although its heartland was located in present-day Pakistan, Gandharan culture spread through Central Asia and reached the Tarim Basin. Many ideas and images that developed in Gandhara eventually traveled to China, and from there to Korea and Japan. This extraordinary history makes Gandharan art of enduring importance to scholars east and west.”

Ver a seguinte página sobre o assunto: sites.asiasociety.org/gandhara/

Sobre a China

 

O livro de Henry Kissinger sobre a China é muito bom, ele conhece o tema e, diferente do que muitos pensam, é um excelente analista de relações internacionais.

The Wall Street Journal, 21 de novembro.

 Kissinger fala sobre mudanças na China e tensões com o Irã

Poucos nomes são tão familiares no círculo diplomático quanto o do ex-Secretário de Estado Henry Kissinger. Seu envolvimento em alguns dos temas globais mais prementes do nosso tempose estende por meio século.

 

Gerald Seib, do The Wall Street Journal, falou com Kissinger sobre os desafios que os Estados Unidos enfrentam hoje como potência dominante, incluindo a ascensão da China e a potencial ameaça nuclear do Irã.

Ralph Alswang para o The Wall Street Journal

Para Henry Kissinger, EUA precisam mudar de estratégia militar

Gerald Seib: O que a transição de poder na China trará?

Henry Kissinger: Estabilidade e instabilidade. Tendemos a olhar as transições na China como as transições nos EUA. Alguém assume, então tem o direito de dar ordens e tem a garantia de que pelo menos um esforço será feito para executá-las.

Não é assim que as transições estão funcionando agora na China. O poder de Xi Jiping é muito menor do que o do presidente dos EUA. Ele tem de governar por meio de consenso do comitê vigente. Ele é o presidente do conselho. Ele é a pessoa mais poderosa. Mas ele tem de formar coalisões dentro desse sistema.

Se há um consenso na China com relação a alguma coisa, é que é preciso haver mais transparência, menos corrupção, mais sistema legal. Mas não está claro de que forma isso ocorrerá. Eu pessoalmente acredito que a transição pelos próximos dez anos não será conduzida por meio dos mesmos métodos adotados hoje.

Seib: O senhor se encontrou com Xi. Ele pode ser um líder reformador da corrupção?

Kissinger: Ele me pareceu um líder que entende o problema. Eu tive cinco ou seis conversas com ele. Acho que ele é forte o suficiente para tentar. O premiê Li Keqiang é outro homem de inteligência considerável. Eu não sei se eles serão capazes de fazer isso. A estabilidade da China dependerá disso. Espero que sim.

Seib: O que devemos analisar para saber se a corrupção está sendo enfrentada, se Xi está completamente no comando militar?

Kissinger: Ele provavelmente deve estar mais no comando dos militares por causa dos seus antecedentes familiares. Seu pai era próximo dos militares. Ele conhece bem os militares.

A doutrina estratégica que os militares desenvolvem publicamente é mais de confronto que a doutrina política que se ouve. Eu acho que ele tem uma chance melhor de colocar ambas em harmonia.

Seib: O que o senhor acha que acontecerá no Irã? Quais são as chances de confronto em 2013?

Kissinger: Os presidentes americanos disseram por mais de dez anos que o programa militar nuclear iraniano deve ser interrompido. Mas há termos que apresentam significados de matizes diferentes. Alguns dizem que eles não podem ter capacidade de criar bombas nucleares. Alguns dizem que a capacidade nuclear tem que ser impedida.

Nos debates entre os dois candidatos, esses termos foram usados indistintamente.

Delimitar as bombas — o desenvolvimento de ogivas — não é um limite significativo, porque é um caminho muito curto passar da fase de enriquecimento de urânio para a de criação de uma bomba.

Aparentemente, as negociações estão caminhando. Elas parecem caminhar no sentido de estabelecer que tipo de enriquecimento não poderá ocorrer.

Então, os dois rápidos debates são se você deve absolutamente negociar com o Irã e, segundo, como você controla o problema do enriquecimento.

Alguma negociação tem que ser tentada. Se estamos preparados para ir para a guerra, ou para o bloqueio, nós temos que ir por meio desse processo. Mas o tempo é limitado. Tem que ser feito em 2013 ou o progresso tecnológico no Irã vai ultrapassar os eventos.

Seib: Qual o papel correto de liderança que os EUA devem ter hoje?

Kissinger: Eu vi e me envolvi em quatro guerras que nós começamos com grande entusiasno e se transformaram num debate sobre o ritmo de bater em retirada — sem outro resultado.

Nós devemos desenvolver uma política onde, se nós nos envolvemos, nós  prevalecemos. Isso significa uma revisão da nossa estratégia militar, que tem sido baseada até agora em parar a agressão física subjugando-a. Isso nos colocou numa posição onde o inimigo pode controlar o ritmo das operações e a duração da guerra.