Hong Kong e Macau

Viagem a Hong Kong e Macau: um belo programa e mais uma etapa de nossos passeios para conhecer a China. Hong Kong é uma cidade bastante cosmopolita e com uma grande densidade populacional. Mas o que mais me encantou foi Macau. A presença portuguesa na arquitetura e no traçado das ruas é bastante evidente. Os azulejos são magníficos. Numa livraria próxima ao Largo do Senado (cujo nome está escrito assim mesmo, em português) comprei vários livros interessantes e alguns números da revista publicada pela Fundação Oriente. Mas cabe ressaltar que é atualmente muito raro encontrar alguém que fale português em Macau! Só algumas pessoas bem mais velhas e, é claro, aqueles que se encontram envolvidos em atividade acadêmica de pesquisa sobre os encontros culturais.

O Museu Histórico é bastante didático e conta a história não apenas da cidade mas de toda a região do sul da China. E, ao lado do museu, está a ruína, com uma fachada bem preservada, da Igreja jesuíta de São Paulo, imponente, belíssima (na foto abaixo).

Em diversos pontos da China é possível encontrar referência à atividade dos jesuítas. Talvez o fato de que eles convertessem inicialmente membros da elite do império chinês e só depois as outras camadas da população, tenha feito com que sua presença assumisse condições privilegiadas. Não encontrei ainda, em nenhum museu, em nenhum prédio histórico, referências negativas à atividade jesuítica (como é frequente, por exemplo, com relação ao domínio imperialista das grandes potências, especialmente no século XIX). Matteo Ricci, por exemplo, ainda hoje é considerado pelos chineses uma grande personalidade, à altura de Confúcio!

Penso que devo voltar ao texto de Tomé Pires sobre a China, que li há tanto tempo… A Suma Oriental, que data do início da época quinhentista (escrita a partir de 1512), dá muitas informações sobre o sul e sobre o período Ming. Mas por enquanto sigo vendo, vendo tudo o que posso, procurando livros e, o que não consigo evitar, pensando em futuras pesquisas, futuros escritos!!!

Mas, acima de tudo, cada viagem tem sido um novo encantamento.

Cidades da Rota da Seda

Estamos chegando de uma viagem muito especial pelo interior da China pois fizemos uma pequena parte da Rota da Seda, visitando Dunhuang e as cavernas ou grutas de Mogao, Lanzhou e Xi’an.

Dunhuang é o ponto de partida para visitar Mogao, um oásis no deserto de Taklamakan onde se encontram centenas de cavernas com magníficas pinturas e estátuas budistas. As cavernas começaram a ser escavadas no século IV quando ali se instalaram as primeiras comunidades de monges budistas. Os monges transformaram o local em um centro de devoção importante e muito frequentado pelos viajantes que percorriam a Rota da Seda. No oásis de Mogao as caravanas encontravam um lugar para descanso e para reabastecimento, sendo frequente também a troca de animais para seguir longos percursos.

A visita às cavernas é bem organizada e é possível apreciar os diversos estilos que foram se sucedendo na arte budista, inclusive as diversas influências indiana, tibetana e mesmo greco-romana, como é o caso dos drapeados inspirados nas esculturas de Gandhara. São excepcionais as imensas estátuas de Buda. Como puderam ser esculpidas com tamanha habilidade ali dentro? As figuras voadoras, “devi” ou apsaras” são fascinates. Comprei um livro muito bom, “Dunhuang & Silk Road”, cujos autores pertencem à Universidade de Lanzhou e à Academia Dunhuang, pretendo dar uma boa estudada na história deste lugar que há tanto tempo me fascina…

Em Xi’an, antiga Chang’an, capital da China em diversas dinastias e que teve seu apogeu na época dos Tang, visitamos o Museu de História de Shaanxi que justamente “conta” a história da Rota da Seda. Estivemos também no Grande Pagoda cuja construção se destinava principalmente a abrigar textos budistas que o monge Xuan Zhang trouxe da Índia. A peregrinação de Xuan Zhang, que partiu de Xi’an no ano de 628, é um dos episódios mais importantes do budismo chinês e foi no mosteiro ao lado do Pagoda que ele criou uma escola de tradutores que alcançou grande renome na Ásia. Ainda hoje o enorme mosteiro se encontra em atividade e é bastante prestigiado entre os budistas.

Mas voltando atrás no tempo visitamos, ainda em Xi’an, o que é considerado uma das mais importantes descobertas arqueológicas do século XX: o imenso conjunto de guerreiros em terracota que fazem parte do mausoléu do imperador Qinshihuang. Ele unificou a China em 221 a.C. e ainda muito jovem mandou construir o que viria a ser seu mausoléu. O famoso exército de terracota já é bastante conhecido pois suas imagens são constantemente divulgadas em livros, filmes e revistas. No entanto é inexplicável a sensação de vê-los de perto. Eles estão no próprio sítio arqueológico onde foram encontrados e há inclusive um grupo de arqueólogos trabalhando nas escavações. É possível acompanhar uma parte dos trabalhos. É imensa a extensão da necrópole e certamente outras descobertas importantes se seguirão.

Dunhuang/Mogao e Xi’an dão uma boa idéia do trabalho que a China vem desenvolvendo com apoio de vários outros países para trazer à tona partes importantes da sua história. O Projeto Dunhuang é especialmente interessante pois atualmente está sendo feita a digitalização de todo o acervo de obras de arte das cavernas e há uma equipe internacional com grande participação chinesa trabalhando também na conservação do local.

Estamos começando bem nossa temporada chinesa e esperamos ainda fazer muitas viagens até o início de novembro, quando encerra nosso período aqui.

Algumas fotos de Dunhuang, do deserto de Taklamakan e de Xi’an estão no item “Minhas fotos.”

 

 

Fotos das “shikumen”, em Shanghai.

Muitos passeios, sempre, em Shanghai, durante a temporada na China. Hoje fomos conhecer as Shikumen, literalmente “portão/porta de pedra”. São casas que datam da segunda metade do século XIX e do início do século XX,  construídas para moradia de chineses que se deslocaram para os bairros dos estrangeiros (as “concessões estrangeiras”) em busca de maior segurança. As primeiras fora feitas na época da revolta Taiping mas em virtude de períodos   grande instabilidade passaram a abrigar cada vez mais famílias chinesas. Seu estilo é uma mescla de elementos ocidentais e orientais mas a segurança era a preocupação maior.

Atualmente o bairro onde estão as shikumen foi restaurado e é muito agradável, uma boa referência das muitas transformações pelas quais passou Shanghai.