CRÔNICAS DA CHINA

Coloco aqui o link para os interessados em baixar meu e-book “Crônicas da China”. Trata-se de uma série de relatos sobre minhas viagens em território chinês, bem como sobre a cidade onde morei, Xangai.

Nele trato de minhas experiências diárias, mas também-me refiro à densa e milenar história chinesa.

https://www.academia.edu/48887593/Cronicas_da_China_05mai2021_1_

Wuxi: uma cidade com muita História.

Nos guias turísticos que sempre consultei para organizar nossas viagens através da China, durante os quase oito meses em que o Paulo Roberto e eu moramos naquele país, além dos livros descritivos das cidades chinesas e páginas da internet, sempre achei poucas referências a Wuxi, a ponto de ter pensado bastante antes de incluir a cidade em nossa programação. No entanto, ela me interessava tanto por sua história quanto por sua proximidade a Yixing, local onde há séculos eram produzidas peças renomadas de cerâmica e assim achei que deveria arriscar incluí-la nos roteiros que eu preparava para nossas saídas de feriados e finais de semana. Não me arrependi.

Próxima a Xangai, fizemos o percurso rapidamente em um trem muito moderno e confortável. Suas raízes são muito antigas e encontram-se bem documentadas em um esplêndido museu cujo belo prédio de moderna arquitetura abriga seis mil anos de civilização, com objetos e descrições remontando até os períodos paleo e neolítico da região. Iniciar, portanto, nossa programação com uma visita ao museu foi uma boa ideia pois a partir dele ficamos mais conscientes de uma história milenar que os chineses sabem estar impregnada naquela região, que é também a do lago Tai e do rio Yangze.

Na imagem abaixo, uma das galerias do museu reproduzindo as atividades comerciais nas margens do Grande Canal (foto minha).

As diversas galerias do Museu de Wuxi possuem painéis explicativos bilíngues, em inglês e em mandarim, ainda que o Paulo e eu fossemos visivelmente os únicos visitantes ocidentais. Motivamos, como sempre acontecia no interior da China, a admiração de muitas pessoas, que nos pediam para tirar fotos ao nosso lado e faziam comentários simpáticos e sempre com enormes sorrisos. Os funcionários do museu foram extremamente solícitos, indicando-nos as salas mais interessantes e fazendo de tudo para que não deixássemos de ver nenhuma vitrine importante.

Acho que, de todos os lugares que visitamos, as pessoas em Wuxi foram as mais alegres e desejosas de interagir conosco, ainda que isto acontecesse em quase toda a China. Guardo, porém, um carinho especial principalmente pelos jovens que cruzaram nossos caminhos por lá e para os quais às vezes pedíamos alguma informação. Lembro de uma garota para a qual agradeci uma referência de rua com o incontornável Xiè xiè e fui retribuída com um gesto das duas mãos dela fazendo um coração e depois um aceno amistoso. São destas coisas que a gente não esquece, ainda mais em viagem e mesmo morando em um país distante do nosso.

A exposição permanente do museu se inicia com as culturas pré-históricas e mostra a importância do lago Tai e do rio, com a abundância de água favorecendo a pesca, que sempre foi uma atividade milenar e muito importante na região. O desenvolvimento da economia em toda a área foi também significativo no período imperial e a construção do Grande Canal permitiu o escoamento de uma farta produção de grãos que já era significativa nos tempos da dinastia Yuan (1271-1368) e com grande destaque para o arroz durante todo o período Ming (1368-1644).

O Grande Canal foi uma obra essencial para e economia da China imperial e sua construção teve início na dinastia Sui (581-618), mas foi depois ampliado em diversas etapas. Em toda a sua extensão liga um grande número de rios, de outros canais e lagos visando facilitar a circulação fluvial de mercadorias.  Toda esta história está muito bem contada em diversas salas com objetos, imagens e grandes painéis explicativos que mostram as diversas etapas do desenvolvimento de Wuxi e do seu entorno.

Passear à pé pelo centro de Wuxi é também um ótimo programa e as ramificações do Grande Canal que  cortam a cidade proporcionam belos reflexos nas águas, com pontes e diversas embarcações que circulam por ali com frequência. Há também muito verde por todos os lados e algumas casas têm lanternas vermelhas nas janelas, que são usadas com frequência em toda a China e não apenas em lugares turísticos. O que muitas vezes achamos que se trata de decoração apenas para atrair os visitantes é realmente parte do dia-a-dia chinês.

DE MATTEO RICCI À MISSÃO FRANCESA: O ENCONTRO ENTRE OS JESUÍTAS EUROPEUS E O IMPÉRIO DO MEIO (SÉCULOS XVI a XVIII)

Artigo meu sobre os Jesuítas na China.

DE MATTEO RICCI À MISSÃO FRANCESA: O ENCONTRO ENTRE OS JESUÍTAS EUROPEUS E O IMPÉRIO DO MEIO (SÉCULOS XVI a XVIII)

Carmen Lícia Palazzo

Introdução

O presente texto é uma apresentação resumida de nossa pesquisa mais ampla sobre o encontro cultural entre jesuítas europeus com os chineses, em especial com a elite letrada do mandarinato confucionista e alguns imperadores, do século XVI ao XVIII.

O fascínio pela Ásia e as viagens de religiosos e mercadores ao Extremo Oriente, seguindo muitas vezes caminhos que posteriormente foram chamados de Rota da Seda, não era novo no início da chamada Idade Moderna. No período medieval Pian di Carpine, Guilherme de Rubruck, Marco Polo e Odorico de Pordenone não apenas se aventuraram na difícil travessia em direção a territórios distantes mas também deixaram relatos de grande valor histórico e antropológico sobre contatos com chineses, mongóis, tibetanos, uigures outros povos até então pouco conhecidos dos europeus. [Palazzo, 2011]

 A China imperial, porém, nunca se constituiu em terreno fértil para a atividade missionária já que era consciente de sua força, que lançava raízes em tradições milenares e numa eficiente estrutura hierárquica. O poder centralizado na Corte era exercido em toda sua extensão territorial, com a autorização do imperador, pelo mandarinato, elite letrada selecionada através de um rígido sistema de concursos. A solução que os jesuítas encontraram para a aceitação de suas atividades no interior do império foi tanto o aprendizado do idioma quanto a familiarização com os códigos de conduta daquela sociedade. E, como ponto de partida para suas atividades, foi importante a existência do enclave português de Macau, etapa inicial para contatos com os chineses e para o estudo da língua.

Os missionários que tinham como objetivo entrar na China continental faziam de Macau o ponto inicial de seu aprendizado, diferente dos padres que ali se fixavam para atender católicos portugueses e a alguns asiáticos convertidos. Longe de se constituir em um território exclusivamente europeu, Macau era multiétnica. Pequena em extensão, era povoada por chineses, portugueses, malaios, entre muitos outros mercadores e suas famílias. Dentre as diversas comunidades de religiosos católicos que ali se estabeleceram com o objetivo de dar apoio espiritual aos cristãos locais, a mais importante era a dos jesuítas, em “(…) regra geral juízes de paz de Macau e elite letrada nos contatos com as autoridades oficiais da Ásia Oriental.” [Barreto, 2006, p.137] Foi Macau que propiciou aos inacianos o aprendizado inicial sobre a China. Assim, quando a Companhia de Jesus decidiu que enviaria seus missionários para o interior do Império, a península macaense se mostrou um bom ponto de partida para o estudo do idioma e contato com os hábitos chineses [Palazzo, 2014, p. 13-31].

O pioneiro Matteo Ricci.

A entrada de estrangeiros no interior da China era difícil, pois dependia de autorização do imperador. Entre os primeiros missionários jesuítas, destacaram-se os italianos Michele Ruggieri e Matteo Ricci. Ambos teceram excelentes relações com altos funcionários da Corte e, com habilidade, conseguiram permissão para deixar Macau e penetrar no interior do continente, onde estabeleceram missões em mais de uma cidade. [Ducornet, 2010, p. 25; p. 48-52] A parte mais importante da estratégia escolhida pelos inacianos para dar início a um bom relacionamento com os funcionários-mandarins foi o aprendizado da língua, no que Matteo Ricci se destacou [Zhu, 2010, p. 22-25].

Ricci viveu durante 28 anos na China, de 1582 até 1610, quando faleceu em Beijing. Durante muito tempo aguardou autorização imperial que também se fazia necessária para o estabelecimento na capital, o que nem sempre era permitido, mesmo para os que, como ele, já estivessem oficialmente instalados no interior do continente. A autorização foi conseguida somente em 1601 por influência de diversos relacionamentos que o missionário cultivou demonstrando seus conhecimentos e presenteando as autoridades locais com objetos europeus que não eram conhecidos na China.

O pesquisador Zhang Xiping enfatiza o interesse motivado pelo que era considerado “estranho” pelos chineses. Esta curiosidade favorecia os jesuítas pois suscitava diversos encontros com as autoridades, que sempre tomavam a iniciativa de procurá-los:

“Quando os chineses letrados começaram a se aproximar dos missionários, muitos deles o fizeram por curiosidade (…) relógios e prismas triangulares eram mostrados pelos jesuítas e jamais tinham sido vistos [pelos chineses]. Quando Michele Ruggieri e Matteo Ricci chegaram em Zhaoqing, o que atraiu o governador local foi justamente ambos os objetos. Em Nanjing, muitos oficiais e letrados foram visitar Matteo Ricci assim que souberam que ele havia levado coisas estranhas para a cidade.” [Zhang, 2009, p.38]

Em toda a história da missionação na China, fica muito claro que os europeus eram para os chineses o exótico por excelência, o Outro que causava estranhamento. No entanto, no caso dos jesuítas, pelo domínio do idioma e assimilação aos hábitos locais, tratava-se também do Outro que os surpreendia fazendo-se próximo. Com relação a Matteo Ricci, sua excepcional capacidade para o aprendizado da língua permitiu que escrevesse vários textos em chinês, contando provavelmente com o auxílio de mandarins convertidos, com os quais ele se relacionava [Laven, 2001, p. 104-105]. Tal fato, sem dúvida, colaborou para alçá-lo à condição de letrado, honra máxima na sociedade chinesa.

No estudo das relações entre o mandarinato e os inacianos a primeira e uma das mais significativas fontes é o importante texto deixado por Matteo Ricci e intitulado por ele mesmo Della entrata della Compagnia di Giesù e Christianità nella Cina, já quase concluído por ocasião de sua morte, em 1610 [Ricci, 2010]. A ele o padre Nicholas Trigault acrescentou dezenove páginas, traduzindo-o integralmente para o latim e levando para Roma o original e sua tradução. Em seguida, a partir do texto latino, foram realizadas traduções para diversos idiomas, o que ampliou sua divulgação entre leitores europeus, ainda que, de maneira equivocada, sob o nome de Trigault. Este, porém, autenticou o manuscrito em 26 de fevereiro de 1615 como sendo efetivamente de autoria do jesuíta italiano e nunca lhe negou o crédito [Ricci, 2010, p. LVI].

Matteo Ricci foi um observador atento e perspicaz da sociedade chinesa. A formação intelectual dos inacianos capacitava-os para entender o mundo à sua volta, principalmente no caso daqueles que, como ele, tiveram acesso ao qualificado corpo docente do Colégio Romano, posteriormente denominado Universidade Gregoriana.

A imagem dos missionários-mandarins passou a circular na Europa a partir das atividades de Ricci [Kircher:1667] mantendo-se até o século XVIII, mas não isenta de considerações críticas, principalmente por parte dos franciscanos. Em resposta às muitas críticas da época, o padre Alessandro Valignano grande incentivador do estilo de missionação dos jesuítas na China, Visitador da Companhia na Ásia e conhecedor das sociedades orientais, deixou bem claro o que considerava como “calúnias” contra os padres da Companhia de Jesus. De acordo com Valignano:

“(…) quanto ao que diz Frei Martín que vestem-se em trajes de chineses e que não tratam de conversão, é verdade que andam vestidos à maneira de letrados chineses e que trazem as barbas crescidas e também os cabelos até as orelhas (…) isto se fez por ordem minha e pelo parecer de muitas outras pessoas sérias e letradas da Companhia.” [Valignano, 1598/1998: 88]

E, mais adiante:

“(…) entendemos que os Padres, fazendo ofício de homens letrados, teriam mais fácil entrada com todos e poderiam melhor e com mais autoridade divulgar nossa santa lei para os chineses, e não se deve reprender e nem ironizar este método, como faz o frade, a quem parece que toda a religião consiste no hábito, o qual, ainda que seja bom, “não faz o monge”, como se diz nos cânones sagrados.” [Ibid.: 89] 

O frade ao qual Valignano se referia era Martín Loinez de la Ascención, um crítico contundente do trabalho dos inacianos no Oriente. Valignano, porém, destaca em sua Apología que outros franciscanos também deram informações “muito caluniosas e prejudiciais para a nossa Companhia, e bem diferentes e contrárias do que se passa na verdade” [Ibid.: 1]

Ricci, em todos os seus escritos deixa evidente ter demonstrado grande capacidade para apreender as muitas características da cultura chinesa, analisando-as com real interesse. Em uma das passagens escreve: 

“O maior filósofo entre eles é Confúcio que nasceu quinhentos e cinquenta e um anos antes da vinda do Senhor ao mundo e viveu mais de setenta anos de uma boa vida ensinando esta nação com palavras, obras e escritos; de todos é tido e venerado como o mais santo homem que teve o mundo. E, na verdade, naquilo que disse e na sua boa maneira de viver, de acordo com a natureza não é inferior aos nossos antigos filósofos, excedendo a muitos deles.” [Ricci, op.cit.: 28-29]

A saga de Matteo Ricci até sua instalação definitiva em Beijing foi repleta de aventuras, de contatos com funcionários chineses fascinados por aquela exótica figura que falava sua língua e interessava-se por seus comportamentos. Em mais de uma localidade na qual se estabeleceu procurando realizar algumas conversões de chineses para o cristianismo ele amealhou diversos aliados, ainda que as conversões não fossem em número elevado.  Seu pioneirismo abriu caminho para os muitos inacianos que seguiram seus passos.

As Cartas edificantes e curiosas do século XVIII

Entre as muitas informações produzidas pelos jesuítas e difundidas através da Europa no século XVIII estavam as Lettres Édifiantes et Curieuses. Tratava-se de cartas enviadas pelos padres franceses estabelecidos em várias partes do mundo a diversas personalidades com o objetivo de divulgar as atividades da Companhia de Jesus. As referidas cartas foram em seguida publicadas, atingindo um número maior de leitores entre a elite francesa, além de seus destinatários. No caso das cartas que foram escritas a partir da China, mais do que os detalhes das conversões em si, que não eram em tão grande número a ponto de impressionar os europeus, os jesuítas fizeram questão de mostrar a posição de destaque que os inacianos desfrutavam no Império do Meio.

A história da chamada Missão Francesa remonta a 1685, quando o rei Luís XIV enviou para a China um grupo de jesuítas que chegou a Beijing em 1688. Com tal decisão, o monarca ignorava o Padroado português que, ao menos teoricamente, detinha a exclusividade do controle da atividade missionária no Oriente. Embora o sistema de Padroado vinculasse também os missionários na China à coroa lusa, a situação ali era menos rígida. Padres de diversas nacionalidades estavam sempre prestando contas de forma mais direta a Roma e aos seus supervisores do que ao rei de Portugal.

O caso dos jesuítas franceses enviados por Luís XIV era, por sua vez, totalmente excepcional, com independência do reino luso, o que não ocorreu sem fricções. Horácio Peixoto de Araújo faz uma boa análise do sistema do Padroado e suas características na China [Araújo, 2000] e Isabelle e Jean-Louis Vissière apresentam o caso francês, na Introdução ao volume que editaram com as Lettres Édifiantes et Curieuses [Vissière & Vissière, 2001:7-24].

Os jesuítas franceses se constituíam em cientistas de excelente formação e sua escolha foi realizada com o apoio da Academia de Ciências de Paris, que não tinha interesse direto na atividade missionária, mas desejava enviar para diversas partes do mundo pessoas capacitadas para coletar informações visando um amplo trabalho de aperfeiçoamento da cartografia. A ideia de que os padres da Companhia de Jesus seriam os mais indicados para tal função na China devia-se ao fato, já então bem conhecido na Europa, de que eles desfrutavam de boa acolhida na fechada corte imperial, o que não era o caso de outros estrangeiros [Ibid.: 10-11].

A Missão Francesa, no entanto, foi muito além de um simples contato científico e missionário. O imperador Kang’xi, que ocupou o trono entre 1662 e 1722, afeiçoou-se aos inacianos tornando-se um grande admirador de suas atividades, integrando-os durante seu longo reinado ao corpo dos grandes letrados do Império [Spence, 1988].

Das muitas cartas enviadas pelos jesuítas a seus correspondentes europeus, destaca-se a de Jean de Fontaney, escrita em fevereiro de 1703 para o padre de la Chaise, confessor do rei francês Luís XIV. Nela, Fontaney descreve de modo muito positivo as honras que foram proporcionadas ao padre flamengo Ferdinan Verbiest na cerimônia de seu velório, ocorrido anos antes, em 1688. Verbiest, que não fazia parte da Missão Francesa mas que era muito admirado por todos, tinha se destacado como matemático e astrônomo. Fontaney não  trata apenas da chamada missão francesa, mas dá um bom panorama das atividades de diversos jesuítas na corte imperial. Relata também em sua correspondência o papel de mediação exercido pelos padres em um confronto que havia ocorrido entre russos e chineses, em virtude do agressivo expansionismo russo. A atuação dos inacianos como mediadores foi fundamental naquela oportunidade para que se alcançasse a então chamada Paz de Nertchinski. Nela destacou-se a atuação de Thomas Pereyra e Jean-François Gerbillon que estavam a serviço do imperador chinês, partucipando das reuniões entre ambas as nações como intérpretes e conselheiros [Fontaney, 2001, p. 65]. Nesta mesma carta o jesuíta descreve ainda o grande interesse do imperador pelo estudo da matemática e da geometria euclidiana [Ibid.: p. 66] reafirmando, portanto, na Europa, uma imagem muito positiva do soberano chinês, curioso e interessado em aprender, o que era, efetivamente, uma característica de Kang’xi [Spence, op. cit. p. xviii].


Outros missionários franceses mantiveram também uma ativa correspondência com diversas personalidades europeias. O padre Dominique Parrenin, que além de missionário era um cientista consagrado, trocou, entre 1728 e 1740, diversas cartas com Dortous de Mairan, físico e matemático que foi diretor da Academia de Ciências de Paris e depois seu Secretário Perpétuo [Parrenin, 2001, p.180]. Em uma destas cartas o padre discorreu longamente sobre as ciências na China, fazendo análises interessantes sobre o fato dos chineses valorizarem mais a “história das leis e da moral”, o que ocorria em detrimento das “ciências especulativas”, como eram chamadas a geometria e a astronomia [Ibid.: 184].

A situação descrita pelo jesuíta era real e justamente em função dela o trabalho dele e de seus companheiros mostrava-se de grande utilidade para o império. Parrenin, porém, destacou que o relativo atraso no qual se encontravam os chineses no século XVIII em relação às “ciências especulativas” não consistia em nenhuma deficiência mas resultado de uma escolha, já que os concursos para mandarim, que davam acesso às funções de maior prestígio, exigiam principalmente conhecimentos ligados às leis e à moral. De acordo com o padre Parrenin os chineses eram “bem sucedidos em outros assuntos que não demandavam menos gênio e nem menos profundidade do que a astronomia e a geometria”. [Ibid., p.181]

O imperador Qianlong, que reinou de 1735 até 1796, sucedeu Kang’xi e manteve, como era praxe já há muitos anos, diversos jesuítas a seu serviço em Beijing, inclusive padres que eram também artistas e que trabalhavam como pintores oficiais da corte. Alguns deles alcançaram grande destaque, como foi o caso do italiano Giuseppe Castiglione “que fez (…) combinar as artes ocidental e oriental e formar uma nova escola de pintura da China (…)” [Seng, 2002, p. 131]

No entanto os inacianos que, como seus antecessores, continuavam a viver sob a proteção imperial, estavam entre os derradeiros representantes de um rico encontro entre o Ocidente e o Oriente que em breve seria interrompido em função de acirradas discussões sobre as práticas da missionação. As ásperas disputas que ficaram conhecidas como a “querela dos ritos”, motivadas pela intransigência da Santa Sé em aceitar as cerimônias de culto aos ancestrais e de homenagem a Confúcio, fizeram com que os missionários começassem a perder o apoio até mesmo do próprio imperador e a sofrer perseguições de parte da população, já que os rituais que estavam sendo criticados pelo papado representavam a própria essência da milenar cultura chinesa.


Na Europa, recrudesciam também as críticas aos métodos inacianos de aculturação o que, ao menos parcialmente, influenciaria na dissolução da Ordem. Da parte dos jesuítas, já não havia mais uma personalidade forte, batalhadora por suas idéias e prestigiada em Roma, como havia sido o caso de Alessandro Valignano, no século XVI, e que pudesse defender a originalidade de seus métodos de aproximação com as populações locais, visando abrir caminho para a catequese.

Conclusão

Os jesuítas, sem dúvida, sempre tiveram uma pedagogia diferenciada em sua atividade missionária, incluindo um certo grau de abertura para a alteridade e o projeto de, em algumas sociedades, iniciar a missionação pelas classes mais altas e letradas. No caso dos inacianos que estiveram no império chinês entre os séculos XVI e XVIII o caminho foi pavimentado também pelas ideias confucionistas que, longe de desagrada-los, passaram a ser incorporadas, em certa medida, como parte de comportamentos morais que os padres consideravam comuns aos cristãos e aos seguidores de Confúcio.

O bom relacionamento entre os jesuítas e os letrados chineses devia-se não apenas às atitudes dos padres mas também ao mandarinato e, em diversos casos, igualmente a imperadores que viabilizaram verdadeiros encontros de civilizações. As trocas foram materiais, intelectuais e até mesmo afetivas, baseadas em admiração recíproca. Atualmente, diversos nomes de jesuítas são lembrados pelos chineses e os que mais se destacaram estão referenciados em museus importantes que contam a história imperial, como o Antigo Observatório Astronômico de Beijing, cuja exposição permanente rende homenagem aos astrônomos Adam Schall von Bell e Ferdinando Verbiest.

O chamado Cemitério Jesuíta de Beijing, conhecido como Cemitério de Zhalan, que incluímos como fonte material de nossa pesquisa, também é testemunho do apreço e respeito pelos inacianos da parte dos chineses, que ali conservam 63 túmulos com grande zelo. Em sua entrada estão, com destaque, as lápides de Matteo Ricci, Adam Schall von Bell e Ferdinand Verbiest.

Houve, sem dúvida, períodos de muitas tensões entre  chineses e europeus em torno das atividades de catequese, com momentos de perseguições e de incompreensões também da parte dos missionários europeus. Os franciscanos registraram na sua história inúmeros relatos de martírio, ocorridos principalmente no interior.  Os jesuítas, embora em grau bem menor, foram também alvo de ataques, mas quase sempre fora da capital. O foco de nossa pesquisa, porém, é o do intercâmbio entre inacianos e chineses e, dentro de um escopo mais amplo, o da avaliação da influência deste encontro na construção de imagens da China na Europa, imagens estas que se mantiveram positivas por um considerável período de tempo e que podem ser consideradas como parte essencial do fascínio ocidental pelo Oriente.

Referências:

Carmen Lícia Palazzo é doutora em História pela Universidade de Brasília, UnB, pesquisadora convidada do UniCeub, pesquisadora membro do Grupo Videlicet da Universidade Federal da Paraíba e do Grupo de Estudos Persas, da UnB, e foi também pesquisadora convidada da Georgetown University, EUA.

Agradecimentos: ao professor Hirochika Nakamaki do Museu Nacional de Etnologia de Osaka pela generosa disponibilização de fontes importantes para a esta pesquisa e também aos professores Julio Jatobá, em Macau, e Jorge Cardoso Leão, no Rio de Janeiro, que colaboraram com importantes sugestões bibliográficas.

[Todas as traduções de fontes e bibliografia em língua estrangeira no corpo do texto são nossas.]

ARAÚJO, H. P. Os Jesuítas no Império da China. O primeiro século (1582-1680). Macau: Instituto Português do Oriente, 2000.


BARRETO, L. F. Macau: Poder e Saber: séculos XVI e XVII. Lisboa: Editorial Presença, 2006.

DUCORNET, E. Matteo Ricci, le lettré d’Occident. Paris: Cerf, 1993.


FONTANEY,  Carta de 15 de fevereiro de 1703, enviada a R. P. De La Chaise. In VISSIÈRE & VISSIÈRE, I. e J.-L. (ed.). Lettres Édifiantes e Curieuses des Jésuites de Chine (1702-1776). Paris: Desjonquères, 2001, p. 59-75.


KIRCHER, A. China Monumentis, Qua Sacris, quà Profanis, nec non variis Naturae & Artis Spectaculis, Aliarumque rerum memorabilium Argumentis Illustrata. Amsterdam: Janssonius van Waesberge & Elizer Weyerstraten, 1667.

LAVEN, M. Mission to China. Londres: Faber & Faber, 2011.


PALAZZO, C.L. Os jesuítas como atores privilegiados na comunicação de imagens da China para a Europa: séculos XVI a XVIII. Revista Tuiuti: Ciência e Cultura, n. 48, p. 13-31, Curitiba, 2014.

PALAZZO, C. L. Relatos ocidentais sobre os khanatos mongóis: Pian di carpine e Rubruck. Revista Signum, 2011, v., n. 2, 2011, p. 124-138.


PARRENIN, D. Carta de 11 de agosto de 1730 enviada a M. Dortous de Mairan. In VISSIÈRE & VISSIÈRE, I. e J.-L. (ed.). Lettres Édifiantes e Curieuses des Jésuites de Chine (1702-1776). Paris: Desjonquères, 2001, p. 181-188.


RICCI, M. Della entrata della Compagnia di Giesù e Christianità nella Cina. Macerata: Quodlibet, 2010 (Editado por Piero Corradini a partir do manuscrito do Arquivo Romano da Companhia de Jesus, em: Jap.-Sin., 106a.).


SENG, C. H. Epílogo. In MUSEU DE ARTE DE MACAU. Exílio Dourado: Estudos gerais sobre a escola de pintura dos missionários ocidentais da corte da dinastia Qing (edição trilíngue mandarim, português, inglês). Macau: Fundação Macau/ Instituto para Assuntos Cívicos Municipais, 2002, p. 130- 132.

SPENCE, J. Emperor of China. Nova Iorque: Vintage Books/Random House, 1988

VALIGNANO, A. Apología de la Compañia de Jesús de Japón y China/ Apología en la cual se responde a diversas calumnias que se escribieron contra los padres de la Compañia de Jesús de Japón y de la China (1598). Osaka: Eikodo, 1998.

VISSIÈRE, I. & VISSIÈRE, J. L (ed.) Introduction. In Lettres Édifiantes et Curieuses des Jésuites en Chine (1702-1776). Paris: Desjonquères, 2001, p. 7-24.


ZHANG, X. Following the steps of Matteo Ricci to China. Beijing: China Intercontinental Press, 2009.


ZHU, J. Missionary in Confucian Garb (edição bilíngue inglês/mandarim). Beijing: China Intercontinental Press, 2010.

Publicado em:

BUENO, André; ESTACHESKI, Dulceli; CREMA, Everton; NETO, José Maria [orgs.] Mais Orientes. Rio de Janeiro/União da Vitória; Edições Sobre Ontens/LAPHIS, 2017., p. 31-45.
ISBN: 978-85-65996-48-8

Disponível em: www.revistasobreontens.site

Nos caminhos da Rota da Seda: Dunhuang

Este post é parte de um dos capítulos do livro que estou escrevendo sobre minha estadia na China

Carmen Lícia Palazzo.

“(…) Já há alguns anos eu me interessava pela história de viajantes que, através dos séculos, percorreram toda uma rede de estradas e caminhos que atravessavam a Ásia e chegavam até os portos orientais do Mediterrâneo. Estes viajantes que seguiam quase sempre em grandes caravanas eram mercadores, peregrinos, missionários, agentes oficiais, diplomatas e aventureiros das mais diversas etnias e que, de forma direta ou indireta, participavam de um importante intercâmbio não apenas comercial mas também de ideias e de crenças religiosas.

A grande movimentação que ocorreu principalmente entre os séculos II e XIV, despertou grande interesse nos arqueólogos, historiadores e orientalistas no decorrer de todo o século XIX. Foi então que o geógrafo e explorador Ferdinand von Richthofen cunhou o nome de Rota da Seda para aquela imensa rede de comunicações, em virtude da seda ter se constituído em um dos mais caros e cobiçados produtos que o Oriente enviava para a Europa.

Não tive dúvidas e organizei eu mesma e sem nenhuma agência de turismo, apenas fazendo uso da internet, uma viagem que incluiria inicialmente Dunhuang, a cidade que se desenvolveu a partir de um oásis no deserto de Gobi, na província do Gansu, ao norte da China. De Dunhuang iria depois para Xi’an, mas aquele primeiro destino era um dos que eu mais desejava conhecer.

Desde o início da temporada chinesa o Paulo Roberto e eu tínhamos combinado que caberia a mim a organização de nossas viagens, a escolha de roteiros, de hotéis e até mesmo os horários e meios de transporte que utilizaríamos (na maioria das vezes o trem), pois eu já havia lido e me informado intensivamente sobre o país. Assim, lá estávamos nós, então, frente à grande oportunidade de conhecer de perto alguns daqueles que tinham sido os pontos altos da lendária rota das caravanas.

Durante toda a Idade Média, o oásis de Dunhuang foi um local de encontro e de reabastecimento na rota das caravanas que ali se preparavam para etapas mais difíceis que ainda encontrariam pela frente. O lugar era estratégico para o descanso, no entroncamento de vários caminhos, já que os caravaneiros seguiam para destinações diversas, entre elas a Índia, o Tibete, o Irã e os portos mediterrâneos orientais. O que as pesquisas mais recentes têm mostrado é justamente uma enorme variedade de contatos, apontando para uma rede de intercâmbio muito mais densa do que a que foi vislumbrada pelos orientalistas do século XIX.

Desembarcamos em Dunhuang após um ótimo vôo em uma companhia aérea chinesa, tendo sido esta uma das poucas viagens que não fizemos de trem, dada a grande distância de Xangai até a província de Gansu. No aeroporto, nos esperava um simpático motorista enviado pelo Silk Road Hotel, que eu já havia reservado através de uma página que encontrei na internet. A chegada ao hotel foi impressionante, o prédio era imponente, de uma beleza sóbria e sem nenhuma outra construção à sua volta. Na imensa recepção, tapeçarias, pinturas, objetos e mapas formavam um ambiente luxuoso e elegante. O quarto era encantador, decorado com estofados de qualidade, uma colcha de seda macia e aconchegante, as paredes enfeitadas com caligrafia chinesa em pedaços de bambu e, da janela, a vista, ao longe, das dunas do deserto. Tudo isto por um preço de qualquer outro hotel médio no Ocidente mas também em outras cidades chinesas.

Uma hospedagem perfeita se não fosse a total incapacidade dos funcionários do hotel, mesmo na recepção, de falar em inglês ou qualquer outro idioma ocidental com os hóspedes. Foi ali que descobrimos que a expressão “hotel internacional” é uma ficção em muitas cidades do interior, ainda que seu nome seja pomposamente anunciado em inglês em todos os folhetos e sites. Concluímos que turistas estrangeiros viajando sem excursão, sem um guia local especializado, como sempre foi o nosso caso, constituíam-se numa raridade.

Lembro que tentei, justamente naquele hotel, pedir açúcar para o meu chá, o que foi impossível. Em primeiro lugar porque os chineses tomam chá sem açúcar, mas também porque a palavra tang, que eu tentava pronunciar corretamente, pode significar várias coisas, dependendo do tom de voz em que é dita, inclusive sopa. E considerando-se que, para eles, não é impossível tomar sopa acompanhada por um chá, sempre que eu fazia meu pedido, em vez de açúcar era brindada com um fumegante pote de sopa!

A dificuldade de comunicação, porém, não impediu que a viagem fosse memorável. E, afinal, a beleza do hotel e a simpatia e os sorrisos de seus funcionários nos conquistaram e fizeram também com que nossa estadia fosse muito agradável. Digo sem pestanejar que eu me hospedaria nele novamente, mas é claro que agora falando um pouquinho de mandarim… Combinamos com o motorista que havia nos esperado no aeroporto (e que falava um pouco de inglês, pouco mas o suficiente para os acertos sobre roteiros) que nos levasse ao que mais queríamos ver próximo a Dunhuang, o conjunto conhecido como grutas ou cavernas do desfiladeiro de Mogao.

Em um longo e impressionante  desfiladeiro situado em uma das pontas do deserto de Gobi, começaram a ser escavadas, desde o século IV, inúmeras cavernas cujo objetivo era o de abrigar comunidades de monges budistas que dariam apoio espiritual para os integrantes das caravanas que tinham, naquela região, a última parada ainda sob proteção do governo chinês. A própria cidade-oásis de Dunhuang era o derradeiro posto militar chinês antes da fronteira e a partir dali os viajantes passavam a enfrentar rotas menos protegidas e certamente expostas a maiores perigos.

Os monges que foram se instalando em Mogao através dos séculos desenvolveram uma ativa comunidade que se transformou em importante centro de devoção. Não era incomum que os viajantes com algumas posses encomendassem pinturas e esculturas para decoração das cavernas, tanto para pedir bençãos para enfrentar os percalços dos longos caminhos que os esperavam pela frente, quanto para agradecer o retorno ao território chinês, após aventuras bem sucedidas. Por outro lado, pagar para que as cavernas fossem escavadas e decoradas com belas obras de arte era um ato que permitiria, para os budistas, a acumulação de mérito, importante para que os próximos renascimentos ocorressem  em situação favorável. Assim, não só viajantes foram os responsáveis pela arte de Dunhuang e os especialistas atualmente consideram que muitos foram os mecenas de toda aquela beleza, provavelmente também muitas autoridades locais.

Aos poucos foi aumentando o número de cavernas cujo interior era recoberto de pinturas e esculturas e já no século XIV o conjunto artístico havia atingido o seu auge. Ao todo elas são 492 decoradas e mais 243 que no passado serviram como celas para o alojamento e as atividades diárias dos monges. Tudo isto eu conhecia um pouco através de alguns livros e, há anos, tinha encontrado breves referências a Dunhuang nos museus da Smithsonian Institution, em Washington, D.C. Mas, de repente, eu estava ali vivendo uma experiência mágica. Era a minha chance do contato direto com aquele que é considerado o mais excepcional conjunto de arte budista conhecido.

O impacto, logo que nos aproximamos de Mogao, foi muito grande: o solo arenoso do oásis, o leito seco de um rio e a longa ravina toda perfurada com aberturas que são as portas de entrada de cada caverna, criando um bordado ao longo de todo o paredão. Ao nos aproximarmos, nos deparamos com um belo pórtico de madeira pintada, marcando a entrada principal do acesso às cavernas. Uma guia chinesa de ótima formação, com evidente conhecimento das diversas características da arte budista, nos acompanhou na visita que foi organizada no próprio local. Por questão de segurança não se pode fazer a visita sem o acompanhamento de um guia, dada a fragilidade de cada interior decorado.

É difícil descrever a sensação de ver tudo aquilo ao vivo. Há uma profusão de pinturas que cobrem as paredes e os tetos com temas relacionados ao budismo, mas também descrevendo as atividades rotineiras das caravanas, com cenas de viagem e também da vida diária. Os personagens retratados não são apenas chineses, há muitos mongóis, tibetanos, árabes e representantes de outros povos que circularam pela região. E, além das pinturas, há muitas esculturas, algumas delas de imensos budas.

Na caverna de número 126, uma pintura magnífica relata a história do monge Xuanzang, que foi à Índia em busca dos textos sagrados do budismo e é considerado um dos mais famosos viajantes da Rota da Seda. Xuanzang divulgou os ensinamentos de Buda na sociedade chinesa e sua memória ainda hoje é evocada com respeito e admiração, em vários templos espalhados pelo país.

Na caverna 296, uma belíssima pintura relata a viagem de um homem cujas feições não são chinesas. Provavelmente um árabe, conduzindo um camelo carregado de mercadorias, acompanhado de um chinês montado em um cavalo. Os mercadores árabes e persas frequentaram a Rota da Seda e muitas vezes chegaram a se estabelecer na China onde seus negócios prosperaram. A caverna    tem, no seu interior, também uma estátua monumental de Buda.

Em mais de um dos interiores foram pintadas as apsaras, figuras femininas muito graciosas e delicadas que para nós, ocidentais, evocam anjos ou fadas, muitas vezes tocando instrumentos musicais. São seres celestiais do panteão budista cuja função é principalmente decorativa, levando alegria às cenas das quais fazem parte. Durante a visita, entra-se apenas em um número limitado de cavernas mas mesmo assim o esplendor é tanto que a emoção perdura por um longo tempo mesmo depois que se deixa o lugar. A sensação que eu tive foi a de ter visto algo único não apenas pela sua qualidade artística mas também pela enorme densidade histórica de toda a região. E esculturas mais recentes das apsaras, seguindo o modelo das que foram encontradas nas pinturas antigas, também estão espalhadas pelo oásis, encantando-nos com sua leveza.

Além das grutas de Mogao visitamos também o museu de Dunhuang e uma parte do deserto onde está o lago da Lua Crescente. O lago tem a forma de meia-lua e suas águas são cristalinas e muito limpas apesar de toda a areia das dunas à sua volta. É uma paisagem única, não alterada há muitos séculos. Foi divertido caminhar pelas dunas, ver de perto os camelos que circulam por ali e ter uma ideia do que devem ter enfrentado os viajantes de outras épocas, para os quais aquela era apenas uma parte da imensa jornada que os levaria a atravessar a Ásia Central.”

Viagens atuais através da antiga Rota da Seda: Sugestão de roteiro para viajantes.

 

   São roteiros perfeitamente viáveis. Recomendo especialmente a visita a DUNHUANG, uma jóia de arte budista com centenas de cavernas pintadas. No passado, foi um oásis importante para o descanso dos caravaneiros.

The Silk Road is a historically important international trade route between China and the Mediterranean. Because silk comprised a large proportion of trade along this road, in 1877, it was named ‘the Silk Road’ by Ferdinand von Richthofen, an eminent German geographer.

Xian Terracotta Warriors
Xian Terracotta Warriors

 Culture: The road is not only an ancient international trade route, but also a splendid cultural bridge liking the cultures of China, India, Persia, Arabia, Greek and Rome. The Four Great Inventions of China and religions of the West were introduced into their counterparts. 

 History: From the time Zhang Qian opened up the world-famous Silk Road during the Han Dynasty, until the collapse of the Yuan Dynasty, it enjoyed a history of about 1,600 years.

 Route: This ancient road begins at Chang’an (now Xian), then by way of the Hexi Corridor, and it reaches Dunhuang, where it divides into three, the Southern Route, Central Route and Northern Route. The three routes spread all over the Xinjiang Uygur Autonomous Region, and then they extend as far as Pakistan, India and even Rome. 

 Other roads: In fact, besides the Silk Road in the northwest of China, there are another two trade roads in the southwest of China and by sea, which also contributed greatly to the development of the world. They are called the “Southern Silk Road” and the “Silk Road on the Sea“.

Crescent Lake, Dunhuang, Gansu
Crescent Lake, Dunhuang, Gansu

 Scenery along the Road: The scenery and sights along the Silk Road are spectacular and intriguing. There are well-known Mogao Caves (Mogao Grottoes) in Dunhuang, the bustling Sunday Bazaar in Kashgar and exotic customs in Xinjiang Uygur Autonomous Region and more … 

 Silk Road Adventure: There are all kinds of tour plans for traveling the world-famous road. TravelChinaGuide provides many tour lines for visitors to experience the adventures of this ancient trade road.


Classical Silkroad Tour: 14 Days Beijing – Urumqi – Kashgar – Urumqi – Turpan – Dunhuang – Xian – Shanghai
In-depth Adventure: 22 Days Beijing – Urumqi – Korla – Kuqa – Aksu – Kashgar – Hetian – Minfeng – Korla – Turpan – Dunhuang – Xian – Shanghai
More Silk Road Tours

 Tips: It is necessary for tourists be aware of some travel essentials when they are on the road, such as weather, food, drink, accommodation, transportation and customs of minorities. Here provides detailed information about them. 

 Pictures: The pictures show the stunning scenery of this time-honored trade route. They display not only the beauty of places of historical places, but also the natural wonders.

 

Camel Train
Camel Team in Desert, Dunhuang

 

 

Texto sobre as viagens e fotos de travelchinaguide.com/silkroad